Conselheiro Leandro deixa o Conselho Regional de Saúde do Paranoá

Na manhã de ontem, após reunião na Superintendência da Região Leste, o enfermeiro Leandro Chagas Demetrio solicitou sua desfiliação do Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnfermeiro-DF).

Em razão da desfiliação, Leandro deverá deixar sua representação no Conselho Regional de Saúde do Paranoá, uma vez que sua participação no colegiado está vinculada à indicação da entidade sindical.

O Conselho Regional de Saúde do Paranoá informa que acompanha os trâmites relacionados à substituição do representante e dará publicidade às informações oficiais tão logo sejam formalizadas.

Confira, na íntegra, o teor do pedido de desfiliação:

 

À Diretoria do Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal – SEEDF

 

Assunto: Pedido de desfiliação sindical e encerramento da representação junto ao Conselho Regional de Saúde do Paranoá – CRSPA

Eu, Leandro Chagas Demetrio, venho, por meio desta, solicitar formalmente minha desfiliação do Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal, a partir desta data, requerendo que sejam adotadas as providências administrativas necessárias para o encerramento de minha condição de filiado e das respectivas contribuições associativas, observados os procedimentos estatutários aplicáveis.

Esta não é uma decisão tomada de maneira impulsiva ou decorrente de um único acontecimento. É o resultado de uma reflexão profunda sobre minha trajetória de participação sindical e, especialmente, de minha atuação no controle social da saúde pública.

Desde que ingressei na Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, em 13 de fevereiro de 2023, procurei exercer minha atividade profissional com responsabilidade e, paralelamente, contribuir para que os problemas que atingem trabalhadores e usuários do Sistema Único de Saúde fossem apresentados, registrados e enfrentados pelos canais institucionais existentes.

No exercício da representação junto ao Conselho Regional de Saúde do Paranoá, procurei cumprir aquilo que compreendo ser o meu dever.

Fiscalizei.
Questionei.
Documentei.
Registrei.
Solicitei providências.
Busquei o diálogo.
Participei de reuniões.
Apresentei problemas.
Cobrei respostas.
E, inúmeras vezes, retornei aos mesmos assuntos quando as soluções não vieram.

Sempre procurei fazer isso de maneira ordeira, respeitosa e institucional, sem transformar divergências em ataques pessoais e sem abandonar o diálogo como primeira alternativa.

Entretanto, há uma distinção que considero fundamental e que, ao longo desse período, tornou-se cada vez mais evidente para mim:

Controle Social não é Controle Administrativo.

Ao Conselho cabe fiscalizar, acompanhar, questionar, propor, cobrar e representar os interesses da sociedade. Não cabe ao conselheiro administrar o hospital, executar contratos, providenciar manutenção, dimensionar equipes, elaborar escalas ou substituir aqueles que possuem responsabilidade administrativa e competência legal para fazê-lo.

Eu fiz a minha parte.

Cumpri o papel que me cabia.

E, em determinado momento, é necessário reconhecer que a responsabilidade pela solução dos problemas precisa retornar àqueles que efetivamente possuem competência para solucioná-los.

Também compreendi, ao longo dessa trajetória, que direitos não podem ser tratados como moeda de negociação, barganha ou concessão.

Direito não é algo que se concede parcialmente para que se obtenha outra coisa em troca.

Não se deve aceitar “um pouco” de um direito para receber “um pouco” de outro.

Direito é direito. Deve ser integralmente respeitado.

Não se negocia a dignidade do trabalhador. Não se negocia sua segurança. Não se negociam condições mínimas de trabalho. Não se negocia o direito do usuário a um serviço público adequado.

Quando direitos passam a ser tratados como concessões administrativas, perde-se justamente aquilo que deveria orientar a Administração Pública: o respeito integral às normas, às pessoas e ao interesse público.

Durante minha atuação, procurei reiteradamente demonstrar os problemas existentes, apresentar registros, buscar respostas e provocar mudanças. Fiz isso acreditando que o diálogo e os mecanismos institucionais seriam suficientes para produzir resultados.

Mas chega um momento em que o desgaste acumulado, a repetição dos mesmos problemas e a sensação de estar gritando ao vento e ao esmo, sem que as providências necessárias sejam efetivamente concretizadas, fazem com que a permanência nessa posição deixe de produzir o resultado que se espera do controle social.

Não considero razoável que uma única pessoa carregue permanentemente sobre os próprios ombros a responsabilidade de identificar, cobrar e acompanhar cada problema existente em uma estrutura pública.

Muito menos considero saudável que o exercício do controle social transforme a vida pessoal em uma permanente obrigação de vigilância, cobrança e enfrentamento.

Minha participação sempre teve um único propósito: o interesse coletivo.

Nunca busquei benefícios pessoais, vantagens, privilégios ou qualquer espécie de favorecimento decorrente da função que exerci. Sempre procurei manter minha atuação pautada pelo interesse público e pela defesa dos trabalhadores e usuários da saúde.

E é justamente por acreditar que a atuação institucional deve permanecer livre de interesses pessoais que reconheço, neste momento, que preciso encerrar esse ciclo.

Não se trata de abandonar meus princípios.

Não se trata de deixar de acreditar na saúde pública.

Não se trata de deixar de me importar com os trabalhadores.

E tampouco se trata de admitir que os problemas existentes estejam resolvidos.

Trata-se de reconhecer que eu cumpri o meu papel e que não posso, sozinho, substituir a Administração Pública naquilo que é responsabilidade dela.

Continuarei acreditando que aquilo que está errado deve ser questionado e que aquilo que é direito deve ser respeitado. Continuarei sendo a mesma pessoa que sempre fui, com os mesmos princípios e a mesma disposição para defender aquilo que considero correto.

Mas entendo que não é possível transformar essa disposição em uma obrigação permanente de enfrentamento, especialmente quando o custo pessoal se torna excessivo e quando a atuação deixa de produzir o resultado esperado.

Por essas razões, além de solicitar minha desfiliação, comunico que, cessada minha vinculação com o Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal, deixo de exercer a representação da entidade junto ao Conselho Regional de Saúde do Paranoá – CRSPA, uma vez que minha participação naquele colegiado decorre da indicação e representação do Sindicato.

Solicito, portanto, que a entidade:

  1. registre formalmente minha desfiliação do Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal;
  2. adote as providências necessárias para o encerramento das respectivas contribuições associativas;
  3. forneça confirmação formal da efetivação da desfiliação;
  4. comunique formalmente ao Conselho Regional de Saúde do Paranoá – CRSPA o encerramento de minha condição de representante indicado pelo Sindicato;
  5. adote as providências necessárias para a substituição da representação, nos termos das normas aplicáveis.

Saio sem renunciar aos meus princípios.

Saio sem negar a importância da luta por direitos.

Saio sem retirar o valor de tudo aquilo que construímos e de todas as questões que foram levadas ao conhecimento das instituições.

Saio, sobretudo, com a consciência de que fiz o que estava ao meu alcance, dentro das minhas responsabilidades e utilizando os instrumentos institucionais disponíveis.

Agora, preciso reconhecer também o meu próprio limite.

A defesa do interesse coletivo somente faz sentido quando permanece livre de interesses pessoais, de disputas de poder e de expectativas individuais. E, quando a permanência em determinado espaço começa a produzir mais desgaste pessoal do que capacidade efetiva de transformação, é legítimo encerrar esse ciclo.

Agradeço pelo período de participação e convivência junto à entidade e desejo que o Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal continue cumprindo sua missão institucional na defesa da categoria e dos trabalhadores da saúde.

Que Deus abençoe a todos e esteja presente em nossos corações, guiando-nos sempre pelo bem, pela justiça e pelo interesse coletivo.

 

Brasília/DF, 20 de agosto de 2026.

 

 

Leandro Chagas Demetrio
CIDADÃO E ENFERMEIRO (Com Muito Orgulho!)

Envie sua Mensagem sobre a Saúde do Paranoá!

  • Compartilhe:

Fiscalizar, acompanhar e monitorar

Últimas